Aracaju, 31 de Outubro de 2020

Registros de violência contra a mulher voltam a crescer em Sergipe

Provável subnotificação, durante os primeiros meses de pandemia, vinha mascarando a realidade da violência doméstica no estado
23/09/2020 17h:52 - Por Da Redação Foto: Pixabay

 

No primeiro semestre de 2020, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de Sergipe registrou 5.435 ocorrências de mulheres vítimas de violência relacionadas à Lei Maria da Penha. Isso é 14% a menos do que foi registrado no mesmo período do ano passado. Mesmo com a queda dos números, provavelmente subnotificados por causa da pandemia, houve aumento de casos de lesão corporal, de estupro e de descumprimento de medidas protetivas por parte do agressor nos últimos dois meses.

 

Nos primeiros meses de pandemia, as estatísticas da SSP vinham apresentando um quadro de violência doméstica muito diferente do restante do país. Enquanto a maioria dos estados registrava aumento do número de mulheres vítimas de violência doméstica, o estado registrava sucessivas quedas nas estatísticas, o que vinha preocupando entidades de proteção à mulher.

 

Em março de 2019, por exemplo, foram registrados 82 casos de mulheres vítimas de lesão corporal em situação relacionada com a Lei Maria da Penha. Este ano, esse número caiu para 59.

 

À medida que a pandemia aumentava, e essas mulheres ficavam mais tempo em isolamento com seus agressores, os números de denúncias caiam em Sergipe. Em maio, apenas 47 registros de lesão corporal, quando no ano anterior eram 72.

 

Essa realidade começou a mudar a partir de junho deste ano, quando os registros de lesão corporal atingiram 72 casos. O pico foi registrado em julho, com 96 casos desse tipo de violência contra a mulher contabilizados pela SSP.

 

                                                                      Fonte: Agência do Estado

                                    

                                         Delegada Marília fala do aumento de casos     

 

Para a delegada da Mulher, Marília Miranda, no início da pandemia, “as pessoas estavam mais temerosas com o perigo do vírus”. Sem ainda um estudo concreto sobre o assunto no estado, também é possível que a adaptação às novas ferramentas virtuais de denúncia tenha dificultado o registro de boletins de ocorrência, apesar da Delegacia da Mulher permanecer com atendimento presencial para os casos mais graves. 

 

Outra hipótese discutida por especialistas, é que a mulher está em situação ainda mais vulnerável nesse período de pandemia, presa com seu agressor. Muitas, inclusive, mais dependentes financeiramente.

 

Sobre o aumento de registros nos dois últimos meses, a delegada Marília Miranda diz acreditar que as campanhas, incentivando a denúncia de casos de violência doméstica, podem ter ajudado. 

 

Feminicídio

 

No Brasil, dados divulgados recentemente pelo Monitor da Violência (Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o portal G1) mostram que 1.890 mulheres foram mortas de forma violenta em plena pandemia do novo coronavírus – o que significa um aumento de 2% em relação ao mesmo período de 2019.

 

Já em Sergipe, de acordo com os dados mais recentes da Secretaria de Segurança Pública (SSP), houve queda de 50% nos casos de feminicídio e tentativas de homicídios contra mulheres ( de 10 para 5 casos), nos meses de maio e junho deste ano.

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