Aracaju, 24 de Setembro de 2020

Halitose (mau hálito) tem sido detectado com muito mais frequência após o uso obrigatório de máscaras

Dentista especialista alerta que as pessoas estão bebendo menos água nesse período de pandemia, o que contribui para desenvolver o problema
13/08/2020 09h:58 - Por Da Redação - Foto: Pinterest

O uso de máscara vem mostrando um problema que muita gente não imaginava que tinha: a halitose ou mau hálito. Isso mesmo. Quando se fala sem barreiras, às vezes, o cheiro persistente que exala da boca pode passar despercebido, principalmente para quem tem o problema. Mas, com o uso obrigatório de máscara, cada vez mais pessoas vem notando o odor.

 

A constatação é da dentista especialista em halitose, Cynthia Coelho, de 50 anos. Em seu consultório, em Aracaju, a dra. Cynthia vem percebendo uma incidência maior de casos, principalmente nesse período de pandemia, ou seja, desde o uso mais frequente das máscaras.

 

“Isso não quer dizer necessariamente que há um aumento de casos. O que pode estar acontecendo é que muita gente que não percebia que tinha mau hálito, agora, pelo fato de usar a máscara, percebe muito mais o odor”, esclarece.

 

 

                                                                              Foto: Arquivo Pessoal

                              

 

 

Outra observação da dentista, é que muitos dos pacientes disseram que estão se hidratando menos, quando estão com a máscara, o que contribui para desenvolver o mau hálito.

 

“Além da temperatura ter baixado, então, a gente não sente tanta necessidade da água, o fato de estar usando a máscara, a pessoa fica com medo de tirá-la pra beber água. Por exemplo, antes da pandemia, quando a gente tinha sede, e se estava em algum lugar público, onde fosse, a gente ia ali, pegava um copo descartável e tomava água. Hoje, as pessoas estão com medo até de pegar aquele copo descartável, de beber a água de um lugar, um bebedouro, onde outras pessoas tomam também daquela água, ou seja, piorou nesse sentido”, completa.

 

 

Mitos

 

A dentista Cynthia Coelho destaca que a halitose é um problema que pode ser embaraçoso e constrangedor, tanto para quem tem o problema quanto para quem está perto da pessoa que tem o problema. 

 

“São raros os pacientes que chegam ao dentista por causa de mau-hálito. Geralmente recebo meus pacientes indicados por outros profissionais. Parte porque muitos não percebem que têm o problema, ou porque se sentem constrangidos, ou ainda porque não sabem que quem trata a halitose, em geral, é o dentista especializado”, explica.

 

A halitose é carregada de mitos, segundo a dentista. Por exemplo, a crença de que a causa é a falta de higiene. A especialista alerta que o cheiro persistente pode não ir embora mesmo depois de escovar os dentes, passar o fio dental e enxaguar.

 

Outro mito, segundo a dentista, é que a halitose é causada por problemas de estômago. Ela explica que 96% das vezes, a halitose está ligada a problemas na cavidade bucal. “Pode vir de outros órgãos, pode. Mas, o mais comum seria o intestino ou em pacientes que já tenham alguma comorbidade, ou seja, paciente diabético ou um paciente com câncer. Esses pacientes têm uma tendência maior a ter a halitose, o que a gente chama de halitose de base sistêmica”, completa.

 

Na dúvida se você tem ou não mau hálito, e se sente constrangido, procure alguém de sua confiança, mais íntimo e questione. Não há motivo para constrangimento, afinal, se você tiver, vai ser um gesto de cuidado, de carinho, a pessoa lhe alertar.

 


Como prevenir? 

 

- Capriche na escovação, principalmente a escovação da língua. Tem muita gente que não escova a língua e as bactérias do mau hálito gostam muito de ficar depositadas no dorso da língua. Existem produtos nas farmácias, os raspadores de língua que fazem uma limpeza eficiente.

 

- Hidrate-se, ou seja, beber mais água durante o dia é importante para prevenir a halitose. Se teme tomar água na rua, leve sempre uma garrafinha de sua casa;

 

- Alimente-se regularmente, pois está comprovado que muitas horas sem se alimentar pode causar o que se chama de corpo cetônico, uma bactéria bastante volátil que se forma por causa da hipoglicemia. Não é aquela que faz desmaiar e tal, mas muitas horas de jejum faz o organismo se defender e uma das formas de reação, tentando equilibrar essa hipoglicemia, é criar essas bactérias. Como elas são voláteis, percebe-se no cheiro.

 

Se o problema persistir, procure o especialista. Através do dentista especialista em halitose você consegue detectar se o seu problema é simples ou se é crônico. O especialista tem uma máquina que mede os gases da boca do paciente e poderá indicar o melhor tratamento.
 

 

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