Aracaju, 14 de Agosto de 2020

Cloroquina, Ivermectina e outros: por que é preciso cautela com os supostos tratamentos da Covid-19

01/07/2020 15h:22 - Por Da Redação - Foto: Pixabay

Desde que começou a pandemia do novo coronavírus, surgiram diversos tratamentos - remédios de combate à doença. Sob o manto da ignorância do método cientifico, muitas pessoas, inclusive o próprio presidente do Brasil, alardeiam milagrosos resultados dessas drogas contra a Covid-19.


Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, no início desta semana, a bióloga e pesquisadora da USP, Natália Pasternak, alertou a população para os riscos de tomar esses remédios, que ainda não foram devidamente testados e aprovados. Segundo Pasternak, parte dessa atitude deve-se a falta de conhecimento do método científico. “ A gente até entende que uma pessoa comum, com medo, procure soluções fáceis no afã de resolver o problema, mas quando vejo essa falta de compreensão vinda dos médicos... é assustador! Não é possível ter médicos que acreditam que um ensaio in vitro é suficiente para prescrever esse remédio para um paciente”, critica.

 

                                                                                    Foto: Wikipedia
                      
                                             Natália Pasternak diz que na ciência nada vem fácil

 

Natália Pasternak é fundadora e presidente do Instituto Questão de Ciência, que é a primeira instituição do país dedicada a promoção de políticas públicas baseadas em evidência científicas. Ela também faz parte do Instituto de Ciências Biomédicas da USP no laboratório de desenvolvimento de vacinas.

 

Ainda na entrevista ao Roda Viva, Natalia explicou que o método científico não tem soluções fáceis, e que existe um processo longo para a aprovação de um remédio. “Um monte de coisas funciona in vitro, um monte de fármacos funciona nas células do laboratório, mas menos de 10% desses princípios ativos chegam às prateleiras das farmácias”, explica. Além disso, até que seja seguro utilizá-los para uma doença tão recente como o novo coronavírus (Sar-coV-2), é preciso mais testes.


 

Posição da AMB 


Diante das diversas notícias divulgadas, principalmente nas redes sociais, a Sociedade Brasileira de Infectologia se posicionou, através de documento, sobre oito diferentes tratamentos farmacológicos para Covid-19. Destacamos, aqui, dois dos mais polêmicos para que saiba por que não é seguro. 
 

 

Cloroquina


Um dos primeiros mais discutidos pelas entidades científica, OMS e o governo federal. Recentemente, a Organização Mundial da Saúde bateu o martelo e descartou completamente o uso de cloroquina no tratamento da Covid-19, mas o presidente Bolsonaro e muitos dos seus seguidores continuam insistindo no tratamento.
 

De acordo com o documento, até o momento, os principais estudos clínicos, radomizados com grupo controle, não demonstraram benefício do uso de cloroquina , nem da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes hospitalizados com COVID-19 grave. Seu uso em profilaxia pós-exposição também não.  Seu uso no tratamento da COVID-19 nos primeiros dias de doença, em casos de COVID-19 leve e moderada, está sendo avaliado e se aguardam os resultados. 
 

A Organização Mundial da Saúde (OMS), a FDA (agência reguladora de medicamentos dos EUA), a Sociedade Americana de Infectologia (IDSA) e o Instituto Nacional de Saúde Norte-Americano (NIH) recentemente recomendaram que não seja usado cloroquina, nem hidroxicloroquina para pacientes com COVID-19, exceto em pesquisas clínicas, devido à falta de benefício comprovado e potencial de toxicidade. A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) também segue e recomenda tais decisões.
 

 

Corticoides
 

• Relatório preliminar, cuja publicação é aguardada para os próximos dias, de um grande estudo randomizado com grupo controle (Estudo RECOVERY), coordenado pela Universidade de Oxford na Inglaterra, que avalia várias terapias em potencial para o COVID-19, demonstrou que o corticoide dexametasona aumenta a sobrevida em pacientes com COVID-19 grave que necessitam de oxigênio suplementar ou ventilação mecânica, na dose de 6 mg/dia, com duração de até 10 dias (https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.06.22.20137273v1.full.pdf).
 

No entanto, não há evidências de benefício do uso de corticoides para as formas leves ou moderadas da doença, nas quais não há indicação de oxigenioterapia, nem para prevenção.
 

 

Ivermectina cura - Fake News!
 

Recentemente, foi amplamente divulgada a cura da COVID-19 através da Ivermectina. Totalmente falso. Pesquisadores da Austrália resolveram testar a substância Ivermectina contra o novo coronavírus. O estudo foi motivado pelo conhecimento da eficácia in vitro(o que significa o início do início de um procedimento científico na bancada do laboratório)desta substância contra outros vírus. Após a publicação dos resultados, a notícia foi deturpada e foi dito que era a cura da Covid-19.

Comentários