Aracaju, 01 de Março de 2021

Coleção pensada e costurada por detentas está em grande rede varejista

A coleção feita por detentas e ex-detentas tem mais de 40 mil peças e está disponível em todos os pontos de venda da Renner e no e-commerce
26/01/2021 09h:25 - Por Com informações da Renner Foto: Divulgação

 

No movimento que visa reduzir o impacto ambiental e social da indústria da moda, grandes redes varejistas estão cada vez mais investindo em empresas com responsabilidade social. É o caso da  Renner que, esta semana, está disponibilizando roupas e acessórios da “Eu visto Bem” – uma marca que emprega exclusivamente mulheres, quase todas detentas e ex-detentas do estado de São Paulo.

 

“A indústria da moda é extremamente destrutiva no aspecto ambiental e social. Eu quis criar uma empresa que prejudicasse o mínimo possível o meio-ambiente e que maximizasse o máximo possível o social”, afirma Roberta Negrini, fundadora da marca.

 

 

                                                      Foto: Reprodução internet

                         

                                       Roberta Negini : uma moda menos destrutiva

 

 

A empresa está lançando a maior coleção de sua história: são 40 mil peças que estarão disponíveis em todos os pontos de vendas da Renner, incluindo e-commerce e mais 370 lojas. A coleção inclui itens como bolsas, brincos, acessórios de cabelo e necessaries.

 

Como funciona?

 

Ao todo, 51 detentas e 13 ex-detentas participaram da confecção das peças, desde o desenho inicial, elaboração das formas e estampas, até o arremate.

 

Segundo Roberta Negrinim, todos os itens foram produzidos com tecido de baixo impacto ao meio ambiente e lixo zero, utilizando fio reciclado feito a partir de sobras de algodão e fibras de garrafa pet.

 

As peças da coleção são inspiradas na estética cottagecore, que trazem estampas e cores em referência ao campo e à natureza. Todos os itens levam uma tag em papel reciclado para identificar os produtos, com a descrição sobre as boas práticas envolvidas na produção. 

 

As costureiras que produziram a coleção, dentro e fora das penitenciárias, receberam o mesmo salário mensal: pouco mais de um salário mínimo. Através de workshops e acompanhamentos individuais, as mulheres que são mães são incentivadas a investir parte da renda obtida na educação e alimentação dos filhos, além de se preparar financeiramente para o mundo fora das grades.

 

 “Nossa principal meta é profissionalizar essas mulheres ainda dentro da penitenciária para que elas não voltem a transgredir a lei e estejam amparadas aqui fora. Com o salário que ganham, as detentas conseguem comprar alimentos e produtos de higiene, por exemplo. Algumas até ajudam a pagar faculdade para os filhos”, conta Roberta.

 

Sobre a empresa

 

Criada em 2016, a Eu Visto Bem tem hoje oficinas de costura nas penitenciárias femininas do Butantã e Santana, ambas em São Paulo. A parte administrativa da empresa bairro da Zona Oeste, onde ex-detentas trabalham em regime CLT. Todos os itens de moda produzidos são pensados e comercializados por marcas parceiras, como é o caso da Renner.

 

                                                                             Foto: Instagram

                         

                                            Necessaire feita com tecido reciclado 

 

 

A Eu Visto o Bem já beneficiou cerca de 200 mulheres, contribuindo para a reinserção delas na sociedade. A empresa também impulsionou a economia circular, reaproveitando 120 quilos de sobras de tecido e contabilizando a reciclagem de 12 mil garrafas PET/mês. “De todas as mulheres que já passaram pela Eu Visto Bem, sabemos que 87% não voltaram a cometer crimes”, afirma Roberta.

 

 

 

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