Aracaju, 16 de Abril de 2021

Pesquisadora sergipana conquista 1º lugar em prêmio nacional com estímulo à leitura em bibliotecas prisionais

Trabalho de Raquel Gonçalves Silva foi reconhecido pela ANCIB
09/01/2021 08h:38 - Por UFS Foto: Facebook

 

A dissertação da pesquisadora Raquel Gonçalves da Silva de Araújo Fernandes conquistou o 1º lugar na premiação organizada pela Associação Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ANCIB), na categoria Mestrado Profissional. Raquel é egressa do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e ex-bolsista da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec).



Intitulado “O estímulo à leitura em bibliotecas prisionais através do desenvolvimento de dinâmicas culturais”, o trabalho foi orientado pela professora doutora Germana Gonçalves de Araújo. Trabalhando com internas do Presídio Feminino (PREFEM), localizado em Nossa Senhora do Socorro, a pesquisadora desenvolveu atividades ligadas ao fortalecimento de temáticas como feminismo, maternidade e violência contra mulheres.

                                                                                  Foto: Arquivo Pessoal
                     

                          Profa. Germana e Raquel Silva com as detentas ( foto antes da Covid-19)

 


“A premiação demonstra como as bibliotecas podem contribuir de forma positiva para a vida de pessoas em privação de liberdade, funcionando como fonte informacional e certa forma de libertação. No caso de um presídio feminino, onde muitas mulheres acabam chegando por influência dos companheiros e existe um isolamento ainda maior em relação às famílias, os livros servem como amigos em momentos difíceis”, afirma Raquel.



Para desenvolver o projeto, a pesquisadora articulou atividades variadas, apresentando um clube de leitura e dinâmicas culturais. “O clube de leitura propõe que a interna frequente a biblioteca e entenda que ela não é apenas um arquivo de bibliografias, mas um ambiente de geração de conhecimento. Já a parte da dinâmica cultural envolve filmes, leituras, debates e produção de cartazes, trazendo à superfície temas que foram selecionados em diálogo com as próprias internas”, explica a orientadora Germana Araújo.



Devolutiva social



Mesmo após a conclusão da pesquisa, o projeto de Raquel vem garantindo sua continuidade através de uma agente prisional designada para essa finalidade. Para Germana, os benefícios gerados vão além do apoio às internas e ao presídio. “O projeto trata de um campo ainda pouco desenvolvido nas universidades, que é a biblioteconomia social. Raquel inaugura um projeto desse segmento para o PPGCI/UFS, que pode fazer com que outros alunos e professores entendam que, como universidade pública e gratuita, é compromisso nosso fornecer uma devolutiva social”, salienta.



Raquel destaca a importância do apoio da Fapitec para o desenvolvimento do projeto. “A Fapitec foi essencial, pois como o presídio fica em outra cidade, precisei me deslocar duas vezes por semana até lá. Além disso, promovemos lanches, premiações, compra de livros e itens para a biblioteca. A bolsa foi imprescindível e fez total diferença para o grau de entrega e responsabilidade que tivemos”, detalha.



A coordenadora do PPGCI/UFS, Martha Suzana Cabral Nunes, enfatiza a relevância da conquista. “O prêmio representa o reconhecimento da excelência dos trabalhos e pesquisas desenvolvidos pelos egressos e orientadores do Programa, contribuindo para o desenvolvimento científico, econômico, social, educacional, tecnológico e cultural de Sergipe. Foi nossa primeira participação no prêmio da ANCIB e já fomos agraciados com o prêmio. Nesse sentido, a concessão da bolsa para Raquel foi um diferencial, e a Fapitec tem sido uma instituição que historicamente apoia a expansão e consolidação dos cursos de mestrado e doutorado na UFS”, comenta.

 

 

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