Aracaju, 11 de Maio de 2021

Andrea Fernanda assumiu a direção de um presídio masculino em plena pandemia no estado

20/09/2020 09h:19 - Por Deise Dias - Foto: Arquivo Pessoal

Há seis meses, a secretaria de Justiça, Trabalho e Defesa do Consumidor (Sejuc) passou a direção da Cadeia Territorial de Nossa Senhora do Socorro a uma mulher. Andrea Fernanda Andrade, 40 anos, não é a primeira mulher a dirigir um presídio masculino no estado, mas, sem dúvida, é a que assumiu a função em circunstâncias mais inusitadas: em plena pandemia do novo coronavírus.

 

Ao receber o convite, Andrea Fernanda disse que não teve dúvidas e assumiu a função, tornando-se responsável por 254 homens, num local com capacidade para 170. Além da questão sanitária, Andrea teve que lidar com “olhares de estranhamento” e vem, “um dia de cada vez”, quebrando tabus, mostrando que homens e mulheres estão em pé de igualdade quando o assunto é competência, independente da área em que atuam.

 

A escolha da atual diretora não foi por acaso. Andrea Fernanda tem uma vida profissional construída praticamente no sistema penitenciário.  Formada em Direito e com especialização em Segurança Pública e Democracia (UFS), Andrea é servidora estadual concursada e começou como guarda prisional no Copecam, a maior e mais problemática unidade prisional do estado. Ela já participou do Grupo de Operações Prisionais  (GTOP), foi coordenadora do Grupo Disciplinar Penitenciário (PAD) e, antes da atual função, era diretora do Presídio Feminino (Prefem), que administrou por três anos e meio.

 

 

Diálogo e pulso firme

 

A experiência profissional ajudou a nova diretora a detectar crises e tentar contê-las ou amenizá-las. Segundo Andrea, o diálogo tem sido a principal arma de sua administração, mas não nega que se for preciso pulso firme, ela e sua equipe estão prontos para demonstrar. No início de setembro, por exemplo, sete homens foram transferidos da Cadeia Territorial de Nossa Senhora do Socorro para outros presídios de Sergipe, por comportamentos inadequados ao funcionamento do sistema.

 

Assim que assumiu, Andrea enfrentou sua primeira crise. Como medida de segurança sanitária, para evitar o contágio em massa da Covid-19, a Sejuc suspendeu as visitas íntimas e familiares. A notícia não foi bem recebida.

 

“Foi difícil. Essas pessoas já estão num sistema à parte, estão excluídos da sociedade, e não ver parentes e companheiras foi complicado”, lembra a diretora. Atualmente, os detentos não têm nenhuma atividade ocupacional, os poucos projetos que existiam antes da atual administração, foram suspensos por causa da Covid-19. Mesmo assim, até agosto, foram confirmados 16 casos de presos infectados nos presídios do estado, cinco na Cadeia Territorial de Nossa Senhora do Socorro.

 

Segundo Andrea Fernanda, a implantação de vídeochamadas e de cartas escritas pelos presos, que eram digitalizadas e enviadas por e-mail pelos servidores, foram algumas das soluções encontradas para diminuir a tensão no presídio. Também foi implantado um sistema de bolsas individuais, tipo ecobags, para que os presos pudessem receber produtos, permitidos pela unidade prisional, de seus parentes.

 

Em sua administração, no Presídio Feminino (Prefem), foi implantado o projeto Odara. Nele, as mulheres presas trabalham na confecção de peças artesanais e a pena pode ser reduzida.  Quando indagada se tinha algum projeto de ressocialização para o presídio masculino, Andrea foi mais comedida:

 

“Primeiro, tem a questão da segurança. As sucessivas tentativas de fuga, requer que um projeto de ressocialização seja muito bem pensado, mas não é impossível. Minha equipe vem trabalhando nisso”, disse.

 

Neste dia 20 de setembro, Andrea Fernanda completa exatamente seis meses na direção da Cadeia Territorial de Nossa Senhora do Socorro.  Ela diz que sua presença na direção de um presídio masculino é uma quebra de paradigmas, e sente que com ética e pulso firme pode fazer uma boa gestão.

 

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