Aracaju, 05 de Junho de 2020

Repensando os espaços de convivência

Como a arquitetura deverá ajudar no remanejamento dos espaços no mundo pós- Covid-19
22/05/2020 11h:41 - Por Deise Dias - Foto: Unsplash
O mundo pós-Covid-19, enquanto não for descoberta uma vacina, vai ser obrigado a repensar os espaços de convivência pública, como escolas, restaurantes, escritórios, museus, etc.
 
Segundo o presidente da União Internacional dos Arquitetos (UIA), o norte-americano Thomas Vonier, em entrevista ao 27º Congresso Mundial de Arquitetos, e compartilhada pelo Rio Capital Mundial da Arquitetura, o mundo mudou e o trabalho dos arquitetos também.
 
“Inevitavelmente, nossos prédios e espaços públicos refletirão o desconforto que muitas pessoas sentirão por estarem perto de outras pessoas por muito tempo. Em quanto tempo você pode imaginar concordar em sentar-se em um restaurante a centímetros de uma mesa vizinha? Quando você estará pronto para ficar em uma fila ou sentar-se em um trem ou ônibus, com seu corpo quase tocando o estranho ao seu lado? Podemos ter que fazer essas coisas, mas provavelmente tentaremos evitá-las – e isso afetará a maneira como projetamos e gerenciamos o espaço”, disse.
 
O 27º Congresso Mundial de Arquitetos está acontecendo virtualmente, com programação que inclui seminários, lives e debates sobre as tendências da arquitetura no mundo.
 
 
Novas necessidades
 
Alguns países como a Coreia do Sul, Canadá, França, entre outros, iniciaram a reabertura gradual dos espaços públicos, desde o último dia 15 de maio. Para isso, foram adotadas medidas que visam atender às novas necessidades no mundo que passa pelo novo coronavírus: obedecer o distanciamento recomendado, além de rígidos protocolos de higienização.
 
Portanto, a arquitetura poderá ser um grande aliado para repensar esses espaços. Veja alguns exemplos de remanejamento de espaços que já estão fazendo parte da nossa nova realidade e que deverão permanecer ainda por um bom tempo em todo o mundo.
 
 
Escolas
 
Estabelecimentos de ensino estão organizando as classes para que garantam o distanciamento entre os alunos, assim como as áreas de alimentação.
 
                                                                                                                                                                                                                                                         Foto: Getty Images
                                      
                                          Na França, distanciamento chega ao refeitorio

 
Também deverão ser garantidos espaços além dos banheiros para  lavagem das mãos e utilização de álcool em gel, de preferência, logo na entrada das escolas. Algumas escolas adotaram álcool em gel dentro das salas de aula, com determinação para que cada estudantes utilize, pelo menos, de duas em duas horas, como na Dinamarca.
 
Na Coreia do Sul, as carteiras dos alunos foram separadas por uma barreira de proteção.
 

                                                                                       Foto Getty Images       
                          
                                               Escolas na Coreia do Sul com proteção
 
 
Escritórios

Medir a temperatura e fazer higienização das mãos exigirá um local específico para isso logo na entrada. Por isso, os próximos prédios comerciais deverão repensar no hall dessas edificações.  O elevador deverá ter uma dinâmica diferente, de forma a reduzir o número de pessoas por vez, e, de preferência, evitar o toque  através de comando de voz para indicar o andar.

A arquitetura e o design de interiores deverão dar conta da reorganização do interior do escritório. Estações de trabalho mais distantes umas das outras - cerca de 2 metros -, visto que é o recomendável pela Organização Mundial da Saúde (OMS).  A sede da HP em Wuhan, a cidade chinesa onde começou a pandemia, foi um pouco mais além:  os funcionários foram recepcionados com um kit contendo máscara e álcool em gel em cada mesa.
 
Facilitar a circulação, colocando menos portas e, consequentemente, menos maçanetas (que podem ser de alto contágio), será outro ponto a ser pensado na nova organização do trabalho.
 
Outro ponto será pensar nos materiais que compõem os móveis. Por exemplo, evitar a madeira não será apenas uma medida ecologicamente correta, mas também evita um material mais difícil de limpar. Não esquecer o alargamento de corredores para manter o distanciamento entre as pessoas.
 
Os coworkings, ou seja, os escritórios compartilhados, são um caso à parte. È preciso estudar formas de redesenhar seus espaços e reduzir a aglomeração, como escalas de trabalhos para cada empresa, por exemplo, e ainda facilitar o acesso a produtos de higiene, como álcool em gel. Caso contrário, é um negócio fadado ao fracasso no mundo pós-Covid-19.
 
 
Restaurantes
 
O setor de restaurantes deve ficar atento a mudanças no seu modelo de negócios - o serviço de entrega vai continuar em alta e pode se tornar a principal fonte de receita em muitos casos – e estruturais. Aqueles que pretendem manter a parte física, será preciso se adaptar à nova realidade.
 
Uma das tendências para manter o distanciamento são os biombos que protege cada cliente, além de respeitar uma distância de dois metros entre as mesas. Como o restaurante não poderá ter aglomeração, será necessário diminuir o número de mesas para manter esse distanciamento entre clientes, por isso, a importância de se manter o delivery.
 
Em Amsterdã, um restaurante construiu cabines de vidro à beira dos canais que deixam as mesas isoladas e com poucos assentos.
 
 
                         
                                                 Fonte: Van Lonkhuijsen/ANP/AFP

 
Segundo os especialistas, a entrada de restaurantes e de seus  banheiros deverão ter portas automáticas, para evitar a contaminação através das maçanetas.
 
Quanto ao restaurante self service, controlar o fluxo de entrada será o grande desafio para evitar aglomerações. Além de manter as mesas separadas, será necessário utilizar cartazes com informações verbais tipo “ Entre, lave as mãos, pegue seu prato e sirva-se mantendo o distanciamento”. Fazer identificação no piso para garantir a distância de 1,5 metros entre os clientes também será importante. Os Balcões centrais (atendimento por ambos os lados) devem ser evitados, mas quando existentes, devem ser utilizados somente em um dos lados.
 
 
Hoteis
 
Alguns hotéis já estão fazendo adaptações para encarar esse mundo marcado pelo novo coronavírus. Em Madri, por exemplo, um hotel já recepciona os clientes com um teste rápido de temperatura. Se o cliente estiver saudável, a recepção lhe entregará um kit de boas-vindas com material de proteção: luvas, máscara e álcool-gel.
 
O bufê do café da manhã desaparecerá e será substituído por uma bolsa de piquenique com fruta e iogurte, que o cliente recolherá passando por um circuito delimitado.
 
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