Aracaju, 01 de Março de 2021

Por que mulheres estão mais vulneráveis aos golpes na internet?

Veja os principais erros e como se prevenir.
16/02/2021 11h:49 - Por Deise Dias - Foto: Pexels

Desempregada, Mariana (a pedido, este não é o nome real da vítima) decidiu divulgar o seu currículo postando-o no Facebook. Em poucos dias, ela recebeu uma mensagem de uma empresa interessada.

 

Mariana passou a se comunicar com um rapaz que disse ser responsável pelo recrutamento de pessoal. Ela deu os seus dados pessoais, o telefone e o “responsável pela contratação” passou a ligar para ela frequentemente, sempre cordial e atencioso.

 

Um dia, ele ligou tarde da noite com uma conversa que não tinha nada a ver com trabalho. Preocupada, Mariana disse que não estava mais interessada no emprego e o rapaz mudou imediatamente de atitude, tornando-se agressivo e passou a persegui-la.  Resumo da história: com a ajuda de um parente, Mariana descobriu que a empresa era falsa e bloqueou a pessoa de suas redes sociais.

 

 

Vulnerabilidade digital

 

Casos como o de Mariana são mais frequentes do que se imagina. Estudo da Javelin Research, empresa americana de pesquisa de mercado e tecnologia, mostra que as mulheres estão mais vulneráveis a golpes na internet.

 

Aqui, no Brasil, o Conecte Mulher consultou a analista da Morphus -Segurança da Informação, Mayara da Silva Camilo, 30 anos, sobre o assunto. Ela diz acreditar que isso ocorre porque as mulheres estão mais expostas.

 

 

 

                                                                                               Foto: Arquivo/Morphus

                                                                                                                             Mayara adverte sobre segurança de dados

 

 

“É uma série de fatores que proporcionam as mulheres serem mais vítimas de golpes. A mulher consome mais, procura mais informação online, ela acessa mais sites e utiliza mais o celular. Outro fator é que a maioria costuma deixar suas redes sociais abertas para o público em geral, não restringe o acesso”, diz a analista de segurança que, entre outras funções, monitora ameaças e tem conhecimento de perícia forense digital.

 

 

Em Sergipe, houve um aumento de 265% de crimes praticados no ambiente virtual no ano de 2020 em relação a 2019.  A delegada Lauana Guedes, da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC), fala no vídeo abaixo os golpes mais recorrentes.

 

                                                                          Vídeo: SSP

 

 

 

Já a delegada Marília Miranda, da Delegacia da Mulher, disse que apesar de não se tabular ainda dados específicos sobre os crimes na internet contra mulheres, é possível notar aumento sensível da ação dos chamados stalkers: alguém que persegue uma pessoa obsessivamente, em vários lugares.  Essa perseguição se dá de diversas maneiras: através de ligações, envio de SMS, invasão de contas nas redes sociais (o que também é conhecido como cyberstalking). Esses casos são enquadrados no Art.147 do Código Penal, sobre perseguição.

 

 

                                                                                                            Foto: SSP

                                                                                                             Del. Marília Miranda alerta para aplicativos de relacionamento

 

 

A delegada Marília disse ainda que, em geral, o perseguidor conhece a vítima através das redes sociais ou em aplicativos e relacionamento, como o Tinder, por exemplo. Ela destaca que, em Sergipe, a maioria dos casos de perseguição ainda é de pessoas que já se relacionaram com a vítima, ou seja, um ex-marido ou um ex-namorado.

 

 

Como evitar ser alvo fácil

 

De acordo com a analista de segurança Mayara Camilo, há algumas regras básicas para evitar o acesso fácil de criminosos ao seu celular e o PC. Veja algumas dicas:

 

- Começando pelo “b.a.bá” da segurança virtual: Troque suas senhas a cada dois ou três meses e nunca utilize a mesma senha para diversos serviços;

 

- Instale antivírus tanto no PC quanto no Celular;

         

- Mantenha o acesso restrito em suas redes sociais. Não aceite qualquer um como amigo. Só porque ele consta dos amigos virtuais de algum conhecido, não quer dizer que você pode confiar naquela pessoa. Se não conhece, por que aceitar essa pessoa em sua rede social?

 

- Evite fotos de sua família (a não ser que sua rede esteja restrita a um grupo de amigos) e do local onde você está no momento.

 

- Se entrar em algum aplicativo de relacionamento, evite dar mais informações que o necessário. Se não tem que gerar um boleto, não tem porque um aplicativo lhe pedir número do CPF, por exemplo. Isso vale para qualquer aplicativo.

 

- Procure utilizar terminais (computador, smartphone, tablet) que sejam seguros e evite wi-fi pública;

 

-Se for fazer uma compra online, leia atentamente as informações dos sites e do produto que deseja comprar. Desconfie sempre de preços baixos demais; Verifique se o site tem aquele cadeado ao lado do endereço da URL;

 

- Normalmente, sites fraudulentos podem conter erros de português ou ainda sobre as informações técnicas do produto. Verifique também se há CNJP cadastrado na página ou canais de comunicação e se o nome do site oficial é aquele mesmo. Também é bom checar a reputação do site. Cheque em serviços como o “ Reclame Aqui”.

 

- Evite clicar em links que direcionam a navegação diretamente ao site de compras. Ao invés disso, prefira digitar o endereço do site (URL) junto à barra de endereço de seu navegador.

 

-Outra dica é usar o cartão virtual. Eles são gerados para compra apenas por 24 horas e você evita dar o número do seu cartão do banco em suas compras;

 

- É importante ativar a “confirmação em duas etapas” no WhatsApp. Com isso, mesmo com o código de verificação que você informou aos golpistas não será suficiente para roubar a sua conta. Mas é melhor ficar atenta e não acessar links e confirmar nada.

 

 

- Desconfiar sempre de situações em que a pessoa solicita transferências e pagamentos em caráter de urgência, mesmo que digam que foi seu filho que lhe solicitou. Ligue antes para o parente ou amigo para confirmar a informação.

 

 

Cai no golpe, o que fazer?

 

- Se seu WhatsApp foi clonado, envie um e-mail para support@whatsapp.com com o assunto Conta Hackeada – Desativação de conta”. Relate o ocorrido e siga as instruções do provedor.

 

- Peça para amigos e familiares excluírem o telefone clonado de grupos e alertarem o máximo de contatos em comum sobre o ocorrido.

 

- Reúna o máximo de provas possível ( prints, documentos, boletos, etc) e procure a delegacia mais próxima de sua casa para prestar o Boletim de Ocorrência. Você pode fazer o registro eletrônico, através da delegacia virtual.

 

 

 

Em caso de assédio, procure a Delegacia da Mulher: (79)3205-9400

 

 

 

 

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