Aracaju, 02 de Julho de 2020

Pesquisa do IBGE: mulheres dedicam quase duas vezes mais horas que os homens aos afazeres domésticos.

04/06/2020 18h:07 - Por Redação - Foto: Freepick
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira, 04, pesquisa que constata que o peso maior dos afazeres domésticos recai ainda sobre as mulheres, independente de raça. Os dados são de 2019, quando 146,7 milhões de pessoas com a partir dos 14 anos de idade realizaram afazeres domésticos, o que equivale a 85,7% da população.

A pesquisa mostra uma tendência, que se constata há cerca de dois anos - com a crise econômica - de que mais pessoas precisaram abdicar dos serviços de empregadas domésticas para cuidar do seu próprio lar.
 
O percentual de mulheres que realizam os afazeres domésticos (92,1%) ainda é bem mais alto que o dos homens (78,6%). Em 2018, esses percentuais eram 85,6% (total), 92,2% (mulheres) e de 78,2% (homens), com variação de 0,4 pontos percentuais na taxa masculina.
 
Ainda de acordo com a pesquisa, a realização de afazeres domésticos é mais alta entre homens com curso superior completo (85,7%) e menor entre aqueles sem instrução ou com o ensino fundamental incompleto (74,1%).
 
A desigualdade de gênero se destaca até mesmo no tipo de atividade desempenhada. Em 2019, as atividades ligadas à alimentação, limpeza de roupas e sapatos e arrumação do domicílio ainda estavam muito concentradas nas mulheres, enquanto a realização de pequenos reparos no domicílio foi a única atividade em que o percentual de realização dos homens (58,1%) foi maior que o das mulheres (30,6%).
 
O estudo constata que as mulheres dedicam quase duas vezes mais horas que os homens aos afazeres domésticos. Em 2019, a população com 14 anos ou mais de idade dedicava, em média, 16,8 horas semanais aos afazeres domésticos ou ao cuidado de pessoas, sendo 21,4 horas semanais para as mulheres e de 11,0 horas para os homens. De 2016 para 2019, essa diferença entre as médias masculina e feminina aumentou de 9,9 para 10,4 horas semanais.
 
O Nordeste apresentou a maior diferença entre as taxas de realização de afazeres domésticos por sexo (21,0 pontos percentuais a mais para as mulheres) e o Sul, a menor (9,6 p.p. a mais para elas).
 
As taxas de realização de afazeres domésticos pelas mulheres brancas (91,5%), pretas (94,1%) ou pardas (92,3%) é sempre mais alta que a dos homens dos mesmos grupos de cor ou raça (80,4%, 80,9% e 76,5%, respectivamente).
 
 
Homens jovens piores índices
 
A educação pode ser uma das principais causas das desigualdades de gênero. De acordo com a pesquisa do IBGE, os jovens entre 14 e 24 anos têm a menor taxa de realização de afazeres domésticos (76,9%). Entre esses jovens, as mulheres também realizam as tarefas domésticas mais que os homens, o que mostra uma educação ainda sexista.

Filhos ou enteados apresentavam as menores taxas de realização de afazeres (74,8% no total, sendo 66,5% entre homens e 84,8% entre mulheres). Apesar disso, esse grupo de homens foi o que apresentou maior crescimento na taxa de realização dessas tarefas nos últimos dois anos, passando de 66,4% para 67,8%.
 
Taxa de realização de afazeres de homens morando sós é semelhante à das mulheres

A análise do tipo de afazer por condição no domicílio mostra que a realização de afazeres pelos homens só se equipara à das mulheres quando ele vive sozinho. Quando está em coabitação, seja na condição de responsável pelo domicílio ou de cônjuge, a realização de afazeres domésticos dos homens se reduz sensivelmente em certas atividades, exceto para a realização de pequenos reparos no domicílio. Por outro lado, para as mulheres não existem grandes diferenças na realização de certas atividades domésticas conforme sua condição no domicílio e o fato de viver sozinha ou em coabitação.
 
 
                                                                                                           Fonte: IBGE
           
 
 
 
 
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