Aracaju, 31 de Março de 2020

Mulheres em Home Office

A nova rotina de profissionais que estão se adaptando ao trabalho em casa
26/03/2020 09h:06 - Por Deise Dias - Foto: Unsplash
Acordar às seis, sair para trabalhar e só retornar a casa por volta das sete da noite já não faz parte da rotina de muitas mulheres. Com a crise do coronavírus, o home office foi adotado por grande parte das empresas e, agora, além do trabalho que requer suas funções, elas estão lidando com vários “extras” do ambiente doméstico.
 
O Conecte Mulher conversou, por telefone, com algumas dessas mulheres para saber como estão se adaptando à nova rotina.
 
 
Verônica Ximenes, 37 anos, é supervisora pedagógica (marido e filhos em casa)
 
 
                                                                                                          Foto: Arquivo Pessoal
 
 
Desde o último dia 18 de março, as escolas estão com as aulas suspensas em todo o estado, mas o trabalho de professores, coordenadores e supervisores, como Verônica, continua, embora à distância. Ela chegou a pensar que seria melhor trabalhar em casa, mas, com a rotina cada vez mais intensa, começa a rever sua posição inicial.
 
“O trabalho home office é completamente diferente daquilo que a gente imagina. Quando a mulher trabalha em home office as demandas da casa estão aqui também. Eu sou virginiana, então, pra mim é complicado lidar com a quebra da rotina, mas estou tentando manter a tranquilidade e já estabeleci uma rotina pra mim, que nem sempre dá certo (risos), mas ajuda bastante. Hoje, mesmo, o dia foi corrido e a macarronada de domingo voltou à mesa,” conta.
 
 
Ediane Cardoso dos Santos Couto, 36 anos, é coordenadora pedagógica (marido e filho de um ano e oito meses em casa)
 
 
                            
                                Foto: Arquivo Pessoal
 
 
A situação da coordenadora Ediane Cardoso é mais complicada. Assim como Verônica, ela trabalha em uma escola particular, está atendendo à distância e tem que cuidar do filho de 1 ano e oito meses. “Recebo mais de 50 chamadas por dia de pais e alunos, para tirar dúvidas das atividades de revisão que estão programadas para esse período de quarentena. Entre uma chamada e outra, troco fraldas, alimento meu filho Cauã, cuido da higiene da casa e da alimentação”, relata.
 
Apesar da rotina atribulada, Ediane diz que vem se adaptando aos poucos, mas que ainda se ressente do isolamento. “Eu tô sentindo falta dos meus alunos, daquele contato, daquele movimento, daquela confusão no intervalo na hora do recreio”, desabafa.
 
 
Uinnie Nascimento,30 anos, é contadora (marido e mãe em casa)
 
 
                            
                                 Foto: Arquivo Pessoal
 
 
Para a contadora Uinnie Nascimento, 30 anos, a situação mudou pouco nesses dias de quarentena. Segundo ela, que mora com o marido e a mãe, assim que passou a trabalhar em sistema 100% home office, estabeleceu prioridades.                           
 
“ Eu me concentro no meu trabalho. Na verdade, eu já fazia alguns trabalhos em casa, antes mesmo de ter que adotar a medida de fechar o escritório para esse período de quarentena. A única diferença é que a demanda aumentou, pois, agora, além do serviço habitual, tenho que estudar as novas regras e tirar dúvidas dos clientes. Ver quem vai aderir a essas medidas que o governo estabeleceu”, conta.
 
Uinnie disse que vem compartilhando com amigas, num grupo de WhatsApp, algumas dicas de como manter o foco trabalhando em casa: “Eu acordo no mesmo horário, não trabalho de pijama (risos); não deixo de fazer minhas refeições e também não faço intervalo depois do almoço, porque não tenho esse costume no escritório. E acrescenta: “Venho também me policiando sobre o horário de encerrar as atividades, pois a tendência é trabalhar mais horas em casa”. admite.
 
 
Vanessa Bruno Ximenes de Araújo, 40 anos, é psicóloga (marido e filhos em casa)
 
 
                            
                                 Foto: Arquivo Pessoal
 
 
A psicóloga Vanessa de Araújo, desde que o Conselho Regional de Psicologia autorizou o atendimento home office, há cerca de 15 dias, adotou a modalidade. Ela combina um horário com os pacientes e o atendimento dura o mesmo tempo que o presencial, de 50 min a uma 1hora. As consultas estão sendo realizadas por vídeo chamada do WhatsApp, porque a maioria dos pacientes tem acesso a um smartphone.
 
Vanessa explica que a decisão de atender em casa veio da necessidade de manter contato com seus pacientes, principalmente nesse período de crise.
 
“Geralmente nesses momentos de catástrofes, de episódios que deixam as pessoas com excesso de medo, tem uma tendência muito grande deles ficarem com pensamentos disfuncionais. O que seria isso? Seria o excesso das emoções vencendo a razão. Quando isso acontece as pessoas têm crises de choro, insônia, eles acabam com muitos medos, agravados pelo excesso de informação na mídia. Eles entram em contato, falam de suas angustias e medos e eu vou fazendo minhas pontuações de forma que eles vão refletindo melhor sobre a situação”, explica.
 
Como mora em um apartamento, sempre que tem uma chamada de um paciente, avisa a todos em casa e vai para um dos quartos para ter mais privacidade. Os filhos, já adultos, e o marido também estão em casa e colaboram.  “Acabamos criando uma rotina. Cada um vai fazendo, aos poucos, o seu horário. Nesse momento, todo mundo precisa se adaptar e se cuidar”, conclui.
 
 
 
 
 
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