Aracaju, 19 de Junho de 2021

Maternidade é discutida sem filtros

09/05/2021 09h:42 - Por Redação - Foto: Pixabay

Quando a atriz e escritora Karla Tenório, de 38 anos, assumiu publicamente que era “uma mãe arrependida”, muita gente criticou e não analisou os significados dessa frase. Karla tem uma filha de 10 anos, que vai muito bem obrigada, no entanto, a escritora, hoje, assume que sempre teve uma angustia de não gostar da maternidade.

 

Suas experiências com a maternidade inspirou o roteiro da peça de teatro “Mãe Arrependida”, de sua autoria, lançada no final do ano passado.

 

 

                                                                                                Foto: Twitter

                                                                                                          Karla diz o que muitas mulheres pensam sobre a maternidade.

 

 

“A maternidade é uma startup de alto risco, sem reconhecimento e sem retorno. Não tem nada a ver com amor incondicional, é um treinamento necessário para a sociedade, um cuidado físico para criar um ser humano, o preparo de um cidadão”, explica Karla em entrevista recente à Universa.

 

Por muito tempo, a maternidade foi encarada como função compulsória das mulheres. Essa é uma das questões que o movimento feminista, que preza pela igualdade dos direitos entre gêneros e a solidariedade entre mulheres, vem tentando mudar.

 

“O feminismo abriu espaço para as mulheres discutirem o tema da maternidade sob uma ótica mais realista e sem tabus”, escreveu Thaís Camargo, em texto publicado pela MindMiners, empresa especialista em pesquisa.

 

Isto significa que é preciso ver a mulher que é mãe como alguém que ama e cuida de seu filho, que precisa enfrentar todas as dificuldades, perrengues e privações que uma maternidade pode trazer. Não a forma construída, principalmente pela sociedade cristã, da imagem e semelhança da Virgem Maria; essa ideia de que quando a mulher vira mãe perde a sexualidade, se volta integralmente para a criança, para o trabalho doméstico e para o cuidado. 

 

“Questões como essas devem ser colocadas em discussão, para que as mulheres possam compartilhar suas experiências reais e tudo o que sentem de uma forma honesta, sem filtros - e sem medo de serem julgadas”, alerta Thaís Camargo.

 

Atualmente, muitas mulheres já assumem que não enxergam a maternidade como a sociedade e o mercado mostram. Suas vozes reverberam em blogs, perfis de Instagram, canais de Youtubers, como “Hel Mother”, de Helena Ramos, que há quatro anos compartilha suas experiências como mãe solo e desconstrói mitos da maternidade.

 

Atrizes como Sabrina Satto e Tatá Werneck mostraram em suas redes sociais o outro lado da maternidade. A primeira falou claramente da sua “falta de tesão” nos primeiros meses depois que a filha nasceu e a Tatá de como era injusto a divisão de tarefas entre pais e mães.

 

Durante a pandemia, mães foram às redes sociais mostrar como estava difícil conciliar home office com os estudos dos seus filhos em casa, além do trabalho doméstico. Por falta de uma empregada ou diarista –  seja por segurança ou para reduzir despesas –, o trabalho doméstico acabou sobrando mais para as mulheres.

 

Um movimento de mulheres que falam da maternidade sem filtros, compartilhando suas experiências, permite conectar mães que se sentiam sozinhas e culpadas diante de uma realidade que é bem mais comum do que se imagina; permite também que as mulheres possam fazer uma escolha real e consciente na hora de optar pela maternidade.

 

de Gere

 

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