Aracaju, 16 de Abril de 2021

“Inteligência emocional pode ajudar relacionamentos abalados”, diz terapeuta

A terapeuta de casais, Ana Lídia Age, explica a importância da prática numa relação a dois, principalmente nesses tempos de pandemia
02/04/2021 10h:21 - Por Redação - Foto: Reprodução internet

O número de divórcios teve um aumento recorde em 2020, a maior parte logo depois da pandemia. Por um lado as pessoas ficaram mais tempo confinadas dentro de casa; e, do outro, para evitar aglomerações, os cartórios passaram a disponibilizar, desde julho de 2020, o serviço de divórcio extrajudicial por meio online, o que facilitou e incentivou decisões mais apressadas. De acordo com dados do Colégio Notarial do Brasil, houve um aumento de 15% no número de divórcios de 2019 para 2020. Uma taxa bem maior que a média histórica de aumento de 2% a cada ano. Em Goiás o aumento foi de 19%.

 

Uma alternativa para manter um relacionamento saudável e longevo, segundo a psicóloga e terapeuta de casais, Ana Lídia Agel, é a prática da inteligência emocional. “A inteligência emocional é adquirida de forma externa, não se trata do temperamento que a pessoa herdou ou tampouco do ambiente que ela foi inserida, é adquirida no momento que a pessoa percebe que precisa investir na busca de se melhorar”, explica.

 

A psicologia descreve a inteligência emocional como a capacidade de reconhecer e avaliar os seus próprios sentimentos e os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles. Portanto, pode ser direcionada à relação do casal. “A inteligência emocional se tornou uma proposta viável de solução para tantos relacionamentos que, apesar de envolverem amor, simplesmente não conseguem fazer a convivência dar certo”, diz a terapeuta.

 

As habilidades aprendidas possibilitam uma mudança, saindo do padrão de conflitos e buscando formas de resolução dos problemas. O aprendizado depende apenas da disposição em buscar um caminho de transformação pessoal, que gera transformação em todas as outras áreas da vida, principalmente na conjugal”, detalha Ana Lídia, que atende no centro clínico do Órion Complex(GO).

 

Pesquisas mostram que o isolamento social imposto pela pandemia teve impacto entre os casais. “A pandemia alertou as pessoas para a importância de encontrar a inteligência emocional, pois muitos perceberam que o sofrimento mental poderia ser evitado ou diminuído se houvesse a busca pelo suporte correto”, conta a terapeuta. Ela destaca que o período despertou um maior interesse dos homens pelo tema. “Quem mais buscava o acompanhamento eram mulheres, mas depois da pandemia essa procura ficou bem equilibrada, homens buscam da mesma forma esse suporte. Psicologicamente os homens são mais fechados para o novo, até pelo fato de serem mais racionais, mas atualmente percebemos eles lutando pelo relacionamento também”, salienta.

 

 

Saúde do lar

 

                                                                          

                                                                                             Foto: Arquivo Pessoal

                         

 

 

 

Para Ana Lídia, o casal equilibrado emocionalmente é essencial para a saúde emocional do lar. “Conflitos diários podem adoecer não somente o ambiente, mas desencadear doenças psicossomáticas para os membros da família, incluindo os filhos”, revela. A terapeuta de casais afirma que é necessário saber resolver e lidar com os conflitos da melhor forma antes de pensar em separação. “Os casais me procuram quando os problemas e conflitos que poderiam ser evitados já tomaram uma proporção tão grande que a fuga, muitas vezes, parece ser uma solução mais viável. Chegam falando sobre divórcio, como se essa busca profissional fosse validar a decisão de divorciar. O que os casais não entendem é que a separação não anula os problemas, mas só troca eles de casa”, detalha. 

 

Psicóloga há 15 anos, Ana Lídia revela os alguns dos resultados do equilíbrio emocional. “A pessoa passa a pensar de forma diferente, mais leve, mais flexível, mais habilidosa, e isso muda a forma de se sentir e agir. Um exemplo é o fortalecimento dos valores morais a partir da prática de habilidades como a empatia e a assertividade, que faz a pessoa saber se colocar no lugar da outra e imaginar como ela se sentiria com tais comportamentos que antes eram de praxe praticá-los sem nenhum pesar”, salienta. 

 

Comentários