Aracaju, 11 de Maio de 2021

Home office: Mulheres sofrem mais abusos de chefes que desrespeitam os horários de trabalho

16/04/2021 09h:58 - Por Redação - Foto: Pinterest

A auxiliar administrativa Sara (a entrevistada pediu para preservar a verdadeira identidade) estava preparando o jantar, quando recebeu uma videochamada do chefe com uma nova demanda.  Para Sara, assim como muitas mulheres que estão em home office por causa da pandemia,  regularidade no horário do expediente virou uma doce lembrança dos tempos de trabalho presencial. 

 

A adesão cada vez maior do trabalho remoto pelas empresas trouxe algumas vantagens, principalmente a segurança sanitária. Porém, vem acentuando abusos, muitos deles já praticados antes da pandemia, como o desrespeito à jornada de trabalho.

 

A desigualdade de gênero no ambiente profissional, que envolve desde os salários mais baixos ao maior número de demissões durante essa pandemia, torna a mulher ainda mais vulnerável a esse tipo de abuso dos superiores. Há sempre um chefe que “lembra” de algo a ser feito fora do expediente, inclusive, nos finais de semana.

 

 

Teletrabalho (Home Office) e a lei

 

Trabalho em Casa ou Teletrabalho, mais recentemente chamado pelos brasileiros de Home Office, é regulamentado pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A modalidade do Teletrabalho foi introduzida à Lei 13.467, pelo Art. 75-B, na Reforma Trabalhista de 2017.

 

No Brasil, a discussão sobre o Teletrabalho começou no início dos anos 2000.  À época, pesquisas mostravam que em um ano o trabalhador perdia em média 37 dias só no deslocamento de casa para o trabalho.  O Teletrabalho surge como uma alternativa para aumentar a produtividade do empregado, evitando que ele perdesse horas no deslocamento casa/trabalho.

 

 

Estudo da Capterra, realizado em janeiro de 2021, mostra que 60% dos trabalhadores no mundo inteiro atuam remotamente desde o começo da crise sanitária do coronavirus. “Desde o início da pandemia, houve uma aceleração do processo de adoção do teletrabalho por parte das empresas, muitas, no entanto, sem condições”, afirma o advogado trabalhista e do consumidor, Frank Deering.

 

 

                                                                                            Foto: Arquivo pessoal

                                               

                                                Advogado trabalhista e do consumidor Frank Deering

 

 

O especialista explica que para adotar o Teletrabalho é preciso que seja redigido um termo aditivo ao contrato de trabalho constando a modalidade, assim como a especificação das atividades que serão desempenhadas pelo empregado. O termo vai definir regras, como a cobertura dos custos de energia, suprimentos de informática, melhoria da internet, horário de trabalho, entre outros.

 

Frank Deering explica ainda que o empregador pode colocar metas para o colaborador, até porque uma das finalidades do Teletrabalho é melhorar a produtividade com a economia no deslocamento.  Mas não pode exigir horas extras, visto que não é reconhecida nessa modalidade de trabalho. 

 

O que se observa nesses tempos de pandemia, é o desrespeito por parte de muitos empregadores aos horários e à privacidade da colaboradora ou colaborador.  “Tem que respeitar a jornada que ela (e) fazia presencialmente”, afirma o advogado.

 

Para as mulheres a pressão é ainda maior. Elas estão enfrentando  jornadas duplas (ou triplas) por causa da pandemia, pois junto com o trabalho em casa estão os afazeres do ambiente doméstico e o cuidado com a família. Um (a) superior (a) que desrespeita o seu horário de trabalho é mais um motivo para estresse e cansaço.

 

 O advogado Frank Deering sugere uma conversa com o chefe sobre o assunto. Caso isso não adiante, o recomendável é coletar o máximo de provas sobre esses abusos, para um possível processo junto ao Ministério do Trabalho. “Seja no Whats App ou em conversas por videochamadas no computador, é possível fazer print ou gravar essas chamadas inoportunas”, orienta.

 

 

 

 

 

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