Aracaju, 06 de Dezembro de 2021

Confira as principais características do DNA da gestão feminina

Lideranças femininas de impacto apresentam particularidades em relação à mentalidade (como pensam) e às ferramentas de autoconhecimento (como aprendem e se desenvolvem)
16/11/2021 09h:28 - Por Ascom - Foto: Divulgação

Neste momento único que estamos vivendo, movimentos de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) tais como o aumento da participação das mulheres em posições de liderança vêm ganhando destaque.

 

Entre 2019 e 2020, a quantidade de mulheres em posições de alta liderança cresceu 29% ao ano, sendo o maior crescimento já registrado, de acordo com dados globais da Catalyst. 87% das empresas de médio porte em todo o mundo contavam com pelo menos uma mulher em posição sênior de liderança em 2020.

 

São exemplos recentes dessa proeminência, Kamala Harris, a primeira mulher a se tornar vice-presidente dos Estados Unidos e a ativista paquistanesa, ganhadora do Prêmio Nobel, Malala Yousafzai, que, em 2020, graduou-se na Universidade de Oxford, Inglaterra.

 

A consultora organizacional, coach executiva e fundadora da Marcon Leadership Consulting, Caroline Marcon, ressalta o ganho de importância das mulheres também no mundo dos negócios. “Tenho visto com frequência a afirmação de que o futuro da gestão é feminino, o que não se refere somente à quantidade de mulheres em posições liderança, mas principalmente às características associadas ao comportamento feminino sendo mais valorizadas na gestão”, afirma.

 

Mas do que se trata o DNA feminino na gestão? Segundo Caroline, uma boa resposta pode ser encontrada na iniciativa do especialista em psicologia de alta performance, Dr. Michael Gervais. Em um projeto intitulado Decoding Disruptors, que foi patrocinado pela Microsoft, Gervais utilizou várias técnicas de entrevista para identificar o DNA de gestão de nove mulheres de alto impacto de liderança; profissionais que atuam em diversos setores, tais como bens de consumo, tecnologia e mídia & comunicação, e que enfrentaram batalhas de gênero, raça, socioeconômicas e de saúde.

 

“As líderes de alto impacto apresentam características específicas em relação à mentalidade (como pensam) e às ferramentas de autoconhecimento (como aprendem)”, comenta Caroline. São habilidades próprias do quesito mentalidade: autoconfiança; autorresponsabilidade; atenção plena ou mindfulness; garra; e otimismo. As ferramentas de autoconhecimento são: visão pessoal; filosofia pessoal; e propósito.

 

 

Características da mentalidade de líderes disruptivas

 

Autoconfiança

 

Segundo a consultora organizacional, a autoconfiança está relacionada ao que chamamos comumente de “conversa interna” e neste sentido ser autoconfiante é saber escolher pensamentos que permitam formar um sistema de crenças capaz de ajudar a ser quem realmente se quer. “Assim, para desenvolver autoconfiança, é preciso identificar seus padrões de pensamento, mantendo o que ajuda e reprogramando aquilo que atrapalha o desempenho”, diz.

 

 

Autorresponsabilidade

 

É ter ciência de que se é capaz de enfrentar diferentes desafios e, por isso, não ter medo de correr riscos. Para desenvolver autorresponsabilidade, a coach executiva sugere escolher pequenas tarefas diárias que causam desconforto, e ao se adaptar a elas, aumentar paulatinamente as dificuldades.

 

 

Atenção plena ou mindfluness

 

“Atenção plena ou mindfluness é focar no aqui e no agora, sem julgar tudo o que acontece”, explica a consultora organizacional. Para desenvolvê-la, Caroline destaca a necessidade de formar hábitos, especialmente através de meditação e exercícios de respiração. Estes hábitos já foram comprovados por inúmeras pesquisas como auxiliares na melhoria da qualidade do sono, do humor, na redução dos níveis de estresse e no aumento da produtividade. As líderes de impacto compartilham do hábito de tomar tempo para reflexão e valorizar a intuição.

 

 

Garra

 

O encontro da paixão com a perseverança para que um objetivo de longo prazo seja conquistado caracteriza a garra, conforme a coach executiva. “Quem tem garra, tem uma visão muito clara de onde quer chegar e se compromete em desenvolver as habilidades necessárias para superar os tempos difíceis, mantendo a paixão viva”, destaca.

 

 

Otimismo

 

Segundo Caroline, otimismo é a crença fundamental de que o melhor está por vir. “Diferentemente do que muitos pensam, ser otimista não é ignorar a realidade, mas reconhecer que muitas vezes a vida não sai da maneira que planejamos e que nem por isso é preciso dispender energia antecipando probabilidades negativas”, comenta. Um bom exercício para desenvolver uma mentalidade otimista, de acordo com a consultora organizacional, é começar o dia visualizando as coisas boas que gostaria que acontecessem e terminá-lo anotando quantas de fato se realizaram. “Isso ajuda a manter a positividade no radar”, diz.

 

 

Ferramentas de autoconhecimento

 

Visão pessoal

 

Trata-se da visão que libera a imaginação para criar cenário futuros. De acordo com a coach executiva, ela se diferencia dos nossos objetivos pela amplitude. Nesse sentido, objetivos são os passos para alcançar a visão pessoal. Além disso, segundo Caroline, a visão cria conexão emocional, porque é repleta de significado, que nos ajuda a manter a persistência nos momentos mais difíceis.

 

 

Filosofia pessoal

 

Consiste em uma declaração de princípios, que norteia a tomada de decisões. “A filosofia pessoal expressa nossos valores em determinado momento da vida, por isso deve ser revisada de tempos em tempos”, diz a coach executiva.

 

 

Propósito

 

Por fim, conforme Caroline, “Propósito é a consciência de que somos guiados por algo muito maior do que nós mesmos e necessita de muito tempo para se concretizar, em geral a vida toda.”

 

 

 

Sobre Caroline Marcon

 

                            

 

 

Graduada em Direito e em Administração de Empresas com mestrado em Comportamento Organizacional. Certificada em Coaching Executivo pela Columbia University New York, em ferramentas de Transformação Cultural pelo Barrett Values Centre, em Gestão da Mudança pelo MIT Sloan e em Meditação pelo Dr. Deepak Chopra nos EUA.

 

Fundadora da Marcon Leadership Consulting e sócia da Field Top Teams Consulting, empresas especializadas em desenvolvimento executivo. Atuou na consultoria global Korn Ferry por nove anos como diretora e coach executiva. Antes disso, trabalhou por cinco anos como consultora para a Organização das Nações Unidas (ONU) na International Telecommunications Union (ITU) e, paralelamente, como consultora de RH na Brasil Telecom/Oi.

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