Aracaju, 05 de Junho de 2020

Abuso e violência contra criança e adolescente: conheça os sinais

18/05/2020 19h:19 - Por Deise Dias Foto: Pinterest

 

 

Desde o início do confinamento em casa contra o contágio global do novo coronavírus, as entidades de proteção às crianças e adolescentes alertam para a possibilidade de aumento da violência a esses grupos vulneráveis. Neste Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, 18 de maio, é intensificada a campanha “Maio Laranja” contra o abuso e violência a crianças e adolescentes.

 

Mesmo antes da existência da Covid-19, a violência doméstica já era uma das maiores violações dos direitos humanos. Nos últimos 12 meses, segundo a ONU, 243 milhões de mulheres e meninas (de 15 a 49 anos) em todo o mundo foram submetidas à violência sexual ou física por um parceiro íntimo ou alguém próximo.

                                       Foto:  Arquivo pessoal

  

    Psicologa Vanessa Ximenes alerta aos pais

 

As consequências do abuso e da violência sexual são permanentes, segundo explicou a psicóloga Vanessa Ximenes, membro do Rede Intersetorial de Assistência Social, Educação e Saúde do município de Divina Pastora.

 

Um trauma desses deixa marcas tanto para o desenvolvimento físico quanto emocional. Não tem como esquecer o passado, mas a gente pode fazer com que ela dê uma nova versão, resignifique essa vivência traumática”, disse.

 

Os sinais

 

A psicóloga Vanessa Ximenes alerta para a necessidade dos pais estarem cada vez mais atentos. A criança ou o adolescente dá sinais de que algo está errado.

 

 “A criança está com um comportamento sexual ou conhecimento sobre sexo que está além da idade, como muita masturbação? A criança está desmotivada? Ela ou ele não quer comer? Não quer ir pra escola? Se é um bom aluno e, de repente, começa a tirar notas baixas; está em estado de tristeza constante; está com um medo exagerado, principalmente de alguém; está sem dormir; está fazendo muito xixi; está com vermelhidão ou alguma ferida na vagina ou no ‘piu-piu’. Observar essas características, porque isso vai acontecer se ocorreu o abuso. O abuso psicológico, o abuso físico e o abuso sexual mudam o comportamento da criança”, explica.

 

Com muita frequência, o agressor é um membro da família ou responsável pela criança, alguém que ela conhece, no qual confia e com quem, muitas vezes, tem uma estreita relação afetiva.

 

Vanessa Ximenes revela ainda que, muitas vezes, a criança fala o que aconteceu, geralmente para a mãe, mas é ignorada. Esse tipo de reação é mais frequente do que se imagina, pois esse tipo de abuso é cercado de vergonha, culpa, medo, tabus culturais e até mesmo dependência emocional ou financeira do adulto que pratica o abuso ou violência sexual.

 

Para alguns especialistas, quando o abuso sexual é cometido por meio do incesto, ou seja, pais e parentes próximos, ele é bem mais profundo e traumático. Para a criança, uma traição, pois aquele que deveria proteger e dar amor está causando o mal. “Para a mãe, é comum se sentir com complexo de inferioridade, se sentir fracassada tanto como mulher quanto como mãe”, completa a psicóloga Vanessa Ximenes.

 

Rede de Apoio

 

Em geral, são os vizinhos ou alguém que vê uma determinada situação estranha que denuncia casos de abusos. Daí a importância de se divulgar os meios de denúncia, como o Disque 100, e ampliar a rede de apoio à criança e ao adolescente. Neste mês, é intensificada a campanha “Maio Laranja” contra o abuso e violência a crianças e adolescentes.

 

É cada vez maior a importância de uma rede de apoio para crianças e adolescentes. Desde 2019, no município sergipano de Divina Pastora, uma iniciativa de melhoria do acesso a serviços de apoio de qualidade nas áreas de saúde, educação, assistência social, Conselho Tutelar e Ministério Público tem ajudado na prevenção de casos de violência contra crianças e adolescentes.

 

A Rede Intersetorial de Assistência Social, Educação e Saúde do município de Divina Pastora é composta de profissionais de diversas áreas que foram treinados para identificar sinais de violência aos menores. Ou seja, do agente de saúde, que vai a casa das pessoas, ao professor em sala de aula, todos ficam atentos e se comunicam, em casos de situações que mereçam uma investigação mais apurada.

 

                               Foto: Arquivo Pessoal

  

             Crisley Dias e  Vanessa Ximenes 

 

De acordo com Crisley Dias, assistente social de Divina Pastora, uma das criadoras dessa rede, com a união das áreas ficou mais fácil detectar casos de possíveis abusos e inibir novos casos. “Como a cidade é pequena, muitos têm medo de denunciar e de se envolver, mesmo sabendo que sua identidade não será divulgada. Por isso, os agentes de saúde, os enfermeiros e os professores são fundamentais para detectar situações de risco", explica.

 

                                       Foto:  Arquivo Pessoal

       

                    Assistente social Monica Santos

 

A assistente social do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), Mônica Santos Oliveira, disse que garantir que as famílias recebam auxílio econômico é uma das formas de evitar que a violência aumente nos domicílios. Ela disse ainda que é importante também o acompanhamento familiar. “Com o isolamento, esse acompanhamento está diferenciado. Não estamos reunindo os grupos, mas estamos ligando e há uma escala de assistentes sociais que continuam trabalhando presencialmente, acompanhando caso a caso”, garante.

 

A psicóloga Vanessa Ximenes destaca a importância da denúncia: “ Se você presencia algum comportamento estranho de um adulto com uma criança, ou até mesmo de uma criança mais velha com uma mais nova, denuncie. Mesmo tendo dúvida, denuncie. Isso vai mover uma investigação, um alerta para o parente mais próximo e até a prisão do agressor”, alerta.

 

  

 

 

 

 

 

 

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