Aracaju, 21 de Julho de 2017

Youtuber e escritora Kenia Maria é eleita pela ONU Mulheres Brasil a primeira defensora dos Direitos das Mulheres Negras, no mundo

Kenia se junta ao time nacional composto pelas atrizes Juliana Paes e Camila Pitanga
03/04/2017 20h:30 - Por Da Redação
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A atriz, escritora e youtuber, Kenia Maria, foi nomeada pela ONU Mulheres do Brasil a primeira Defensora dos Direitos das Mulheres Negras, no mundo. Com a nomeação, Kenia entra no grupo de mulheres públicas em favor da igualdade de gênero no Brasil, composto por Juliana Paes, defensora para a Prevenção e a Eliminação da Violência contra as Mulheres, e Camila Pitanga, embaixadora nacional da ONU Mulheres.

 

 

“Tenho fortes razões para acreditar que mudanças estão por vir e para mim é uma honra ser uma das defensoras desta causa. Na verdade, o nosso pedido é muito simples: que a sociedade nos trate como humanas. Sinto uma enorme alegria e satisfação em saber que a ONU Mulheres, juntamente com a Década Internacional de Afrodescendentes das Nações Unidas, tem em sua agenda o objetivo de mobilizar a sociedade para que a enorme demanda das mulheres negras seja ouvida”, declarou Kenia em seu primeiro pronunciamento como defensora.

 

 

Com o novo cargo, a vida de defensora vai mudar bastante – principalmente a sua agenda. Sua função é apoiar os organismos intergovernamentais sobre o status da mulher negra na formulação de políticas, padrões, normas globais e ajudar os Estados-membros a implementar estas normas. A ONU Mulheres foi criada para resolver tais desafios.

 

 

“A primeira questão que pretendo debater é a lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio. A lei existe, mas não consegue se efetivar. É importante ressaltar em sala de aula a cultura afro-brasileira como constituinte e formadora da sociedade brasileira, na qual os negros são considerados como sujeitos históricos, valorizando-se, portanto, o pensamento e as ideias de importantes intelectuais negros brasileiros, a cultura (música, culinária, dança) e as religiões de matrizes africanas”, explica Kenia.

 

 

História interligada com a cultura negra no Brasil

 

“Imagino que uma das razões para a escolha do meu nome para este cargo foi pela minha história e da minha família. Sou do subúrbio (Del Castilho) e venho de uma família de militantes, como o capoeirista Mestre Celso. Meu nome é KENIA por causa do país africano e eu participo de projetos sociais desde os meus 13 anos, quando minha mãe me introduziu ao universo da luta no resgate da minha ancestralidade. Eu tenho uma herança espiritual muito grande e sou neta de Samuel Gama, conhecido babalorixá de Irajá, que foi casado com sinhá, filha de Natal e um dos fundadores da Portela. Sou sucessora de meu avô! Recebi minha herança das mãos de Obarayi, filho de mãe senhora e respeitado babalorixá de Salvador (Bahia). Minha militância aumentou aos 18 anos, quando participei da fundação do AfroReggae, em Vigário Geral. Depois, não parei e montei minha produtora”.

 

 

Há quatro anos, ela e seu marido, o ator Érico Brás, criaram o programa, no YouTube, “Tá Bom Pra Você”. No canal, eles recriam peças publicitárias a fim de propor a criação de novas imagens e questionar a ausência do negro na publicidade. 

 

 

A representante nacional do organismo das Nações Unidas, Nadine Gasman, disse que Kenia tem se dedicado à literatura negra infantil e à defesa das religiões de matriz africana, o que agregará aos debates sobre os direitos das mulheres negras durante a Década Internacional de Afrodescendentes e as ações para acelerar a igualdade de gênero no Brasil em apoio à iniciativa global da ONU Mulheres Planeta 50-50 com paridade de gênero em 2030.

 

 

Em 2016, Kenia participou do "TEDxSãoPaulo - Mulheres que inspiram” e apresentou o evento da ONU Mulheres Brasil - Por um planeta 50-50, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Como escritora, ela vai lançar 2 livros infantis neste ano.

 

 

Racismo e sexismo no Brasil

 

No Brasil, vivem 55,6 milhões de mulheres negras, que chefiam 41,1% das famílias de afrodescendentes. Em média, essas trabalhadoras recebem 58,2% da renda das mulheres brancas, de acordo com dados de 2015 do Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça.

 

 

Duas em cada três mulheres presas são negras num total de 37, 8 mil detentas – número que aumentou 545%, entre 2000 e 2015, segundo o Infopen Mulher.

 

 

Entre 2003 e 2013, houve uma elevação de 54% no número de assassinatos de mulheres enquanto houve redução em 10% na quantidade de assassinatos de mulheres brancas. No quadro diretor das maiores empresas no Brasil, as negras ocupam apenas 0,4% dos postos executivos. São apenas duas negras num total de 548 executivos e executivas.

 

 

 

TÁ BOM PRA VOCÊhttps://www.youtube.com/user/brasbando/videos

 

TED: https://www.youtube.com/watch?v=bLkLaQVuRd8&t=2s

 

ONU:https://nacoesunidas.org/onu-nomeia-a-atriz-kenia-maria-como-defensora-dos-direitos-das-mulheres-negras-no-brasil/

 

http://www.onumulheres.org.br/noticias/onu-mulheres-brasil-nomeia-kenia-maria-como-defensora-dos-direitos-das-mulheres-negras/

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