Aracaju, 20 de Novembro de 2018

Até onde o perfeccionismo é saudável

11/04/2018 21h:14 - Por Da Redação
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O perfeccionista é um profissional com insistência em estabelecer padrões altos em tudo o que faz. Em entrevistas de emprego, é muito comum os candidatos se autodenominarem perfeccionistas, com a crença de ser um defeito “menos pior” ou até uma qualidade.


Porém, essa característica não é tão inofensiva quanto parece. Segundo a coach com certificação internacional em Positive Psychology Coaching e fundadora da Academia de Coaching Integrativo, Rebeca Toyama, o perfeccionista é mais propenso a sofrer com consequências como doenças crônicas e insatisfação pessoal. “Muitos profissionais vêm a mim com crises de ansiedade, irritabilidade com os colegas, exaustão e outros sintomas. Após algumas sessões, percebo que o perfeccionismo passou do limite saudável.”, relata a coach.
 

De acordo com um estudo sobre desempenho com 1,2 mil professores de psicologia, publicado no Canadian Journal of Behavioural Science, aqueles que lutam pela perfeição e buscam atingir metas irrealistas produzem menos trabalhos acadêmicos e são menos citados em teses.
 

O perfeccionismo pode desencadear doenças psicológicas como depressão, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), Síndrome do Impostor (quando o profissional se sente inadequado, uma fraude) e, principalmente, ansiedade.
 

Essa última vem assombrando a atualidade, dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que 30% da população mundial e cerca de 9,3% dos brasileiros apresentam os sintomas da patologia.
 

Apesar de atingir todas as idades, a faixa etária que mais sofre com o transtorno (15%) são adultos com mais de 25 anos, a idade que as responsabilidades como o trabalho e contas se tornam maiores.
 

Rebeca relata que esse perfeccionismo gera insegurança, quando mesmo possuindo um trabalho impecável, por exemplo, o profissional acredita que não está bom o suficiente e se auto sabota.
 

“Recentemente fui procurada por uma moça que estava quase desistindo do seu sonho por não conseguir clientes e, segundo ela, todo problema estava no fechamento. O que intrigava era que, no histórico profissional, ela possuía experiência em instituições financeiras e até havia recebido prêmios por sua performance em vendas. Então fiz a seguinte pergunta: Você acredita que tem
capacidade para entregar o serviço que está ofertando atualmente? A questão não era competência, paixão ou propósito, e sim autoconfiança.”, relata.

 

Por isso, Rebeca conta como perceber se o perfeccionismo é uma característica que te impulsiona, ou algo que prejudica seu desempenho pessoal e profissional:

 

Saudável:  No mundo capitalista, que visa o lucro acima de tudo, o profissional que possui objetivos perfeitos é ideal. 


“Não é à toa que a sociedade atual busca cada vez mais o profissional perfeccionista. Ele está sempre atento aos detalhes, possui uma qualidade e competência acima da média e não costuma se incomodar em trabalhar algumas horas a mais para alcançar esse resultado.”, explica Rebeca.

 

O profissional que possui essa característica de forma saudável estipula objetivos, procura desafios e busca aprendizado. Essa visão o impulsiona a sempre procurar aperfeiçoamento, no trabalho, nos estudos e até na vida pessoal.

 

Não só para si mesmo, o perfeccionista também é exigente com outros, tanto como líder de equipe, quanto colega de trabalho e até subordinado. “Será o grupo mais rentável e com os resultados mais impecáveis da empresa, além de serem mais propensos a serem organizados e detalhistas.”

 

Não saudável: Por outro lado, o perfeccionismo pode muito facilmente cair para .uma doença crônica, com a busca de uma perfeição que é impossível de ser alcançada. “Somos frequentemente levados a acreditar que trabalhar até a exaustão é louvável, que a diversão e até o descanso são dispensáveis quando se quer alcançar um objetivo. Mas é aí que mora o perigo, pois humanos não são perfeitos.”
 

O perfeccionista não saudável acaba se isolando dos amigos e dos familiares, “o que o deixa ainda mais propenso a adquirir ansiedade e até depressão”, alerta Rebeca. O medo da rejeição por não ser “bom o bastante” pode prejudicar as relações pessoais, e, pior que isso, o perfeccionista pode exigir o mesmo do parceiro.

 

Porém, no âmbito profissional, também existe a possibilidade de atrasar entregas, por  creditar que nunca está bom o suficiente, e a cobrança acaba se tornando inimiga da produtividade. O perfeccionista também possui uma dificuldade de aceitar críticas. “Como líder e colega de equipe, quem possui essa característica pode exigir metas impossíveis, ser rígido e não conseguir cumprir os objetivos –  inalcançáveis – que estipula.”

 

 

 

Sobre Rebeca Toyama 


Rebeca Toyama é palestrante e formadora de líderes, coaches e mentores. Fundadora da Academia de Coaching Integrativo, sócia-coordenadora da Academia de Planejamento Financeiro da GFAI, coordenadora do Programa de Mentoring associada a Planejar (Associação Brasileira de Profissionais Financeiros) e fez parte da Comissão de RecursosHumanos do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa).


Colunista do Programa Desperta na Rádio Transamérica e do blog Positive-se, colaboradora do livro Coaching Aceleração de Resultados, Coaching para Executivos. Integra o corpo docente da pós-graduação da ALUBRAT (Associação Luso-Brasileira de Transpessoal) e Instituto Filantropia. Coach com certificação internacional em Positive Psychology Coaching e nacional em Coaching Ontológico e Personal Coaching com o Jogo da Transformação.

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