Aracaju, 24 de Junho de 2018

Coluna

Post ab3bd729b90cc9bb

Aqui Entre Nós

Por Nazaré Carvalho

Nazaré Carvalho é graduada em Letras pela UFS, especialista em Direito Educacional, jornalista, radialista e apresentadora de televisão. Exerce atualmente o cargo de Assessora de Comunicação da Faculdade Pio Décimo

VIOLÊNCIA URBANA NO BRASIL
Article cover big c3134b0270cc4f2a

Ao assistir a noticiários de televisão é comum nos defrontarmos com casos de crimes que chocam por sua astúcia e crueldade. A violência encontra-se entre as principais preocupações dos brasileiros e o medo passou a ser sentimento comum no cotidiano das cidades.

 

Há mais de 20 anos que os índices de homicídios e crimes violentos estão em níveis  alarmantes.

 

A violência é um fenômeno que tem afetado com maior intensidade a população urbana no Brasil. Comparando-se dados do Ministério da Saúde sobre mortalidade nas principais regiões metropolitanas brasileiras, Rio de Janeiro e São Paulo têm índices preocupantes de homicídios, mas não são essas duas capitais mais violentas do Brasil, contrariando a imagem que se cria dessas cidades na opinião pública. Embora não apareçam com tanto destaque nos noticiários policiais em nível nacional, Recife, Vitória e Maceió foram as regiões metropolitanas com maior incidência de homicídios para 100 habitantes no ano de 2015.

 

Juventude e masculinidade são duas palavras que andam em conjunto com o fenômeno da violência. Quando tratamos de homicídios é incontestável a predominância de homens, tanto na posição de criminoso quanto na posição de vítimas. A mesma tendência é observada no caso dos autores de homicídios em que o percentual masculino é de 95%. Uma mudança no cenário ocorre quando focamos o crime de lesão corporal. Nesse caso as mulheres são as vítimas mais frequentes, ocupando um pouco mais da metade das estatísticas, enquanto os homens ainda são na grande maioria os autores. Os jovens de até 24 anos são aqueles que figuram nas estatísticas com mais de 46% do total das vítimas de homicídios intencionais e mais de 50% dos autores no ano de 2015. Esses números mostram que a violência não é um fenômeno que atinge igualmente a todos. É realizado principalmente por jovens e contra jovens, o que deixa claro a necessidade de uma política pública articulada com uma política para a juventude.

 

As formas de combater essa violência suscitam diversos debates entre os que procuram estudar o assunto, como autoridades, políticos e a própria população. Há uma diversidade de soluções apontadas para conter o crime que podem ser agrupadas em duas correntes principais. De um lado temos uma estratégia repressiva, na qual a ênfase se dá na responsabilização e punição do criminoso como meio de diminuir a incidência dos crimes. Para tanto, uma política repressiva buscará o incremento da polícia, maior rigor na aplicação das penas, mais eficácia da Justiça Criminal e aumento das penitenciárias.

 

Em um enfoque distinto, as estratégias preventivas visam a impedir que o crime aconteça, agindo sobre as causas sociais que incentivam a criminalidade. Nesse caso, a busca de inclusão social, a ressocialização do detento e a defesa dos direitos humanos são colocados como meios de combater a violência. Uma política preventiva dá preferência à assistência social, em detrimento da punição e vê a causa do crime na situação social e não na responsabilidade do indivíduo criminoso.

 

O controle da criminalidade violenta é um processo complexo que envolve uma negociação delicada na busca da ordem social que deve passar pelo respeito aos direitos individuais. O esforço em diminuir a incidência de crimes envolve não só a ação policial ou assistencial, mas uma cooperação entre diversas áreas como o sistema educacional, de saúde pública, de Justiça Criminal, atividades culturais, condições de moradia e emprego e etc. A articulação adequada dessas áreas, focada principalmente no público jovem, é o desafio para uma política de segurança que possa trazer resultados positivos.

Envie seu comentário