Aracaju, 24 de Abril de 2018

Coluna

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Aqui Entre Nós

Por Nazaré Carvalho

Nazaré Carvalho é graduada em Letras pela UFS, especialista em Direito Educacional, jornalista, radialista e apresentadora de televisão. Exerce atualmente o cargo de Assessora de Comunicação da Faculdade Pio Décimo

18/05/2017
VELHICE: SIGNIFICADO
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Refletir sobre o significado da velhice na sociedade brasileira é, em primeiro lugar, surpreender-se com a visibilidade que esta questão adquiriu no contexto contemporâneo. Até meados da década de 80, era parte do interesse pelo estudo deste tema ou por ações voltadas para um trabalho com os idosos denunciar o silêncio- a conspiração do silêncio como dizia Simone de Beauvoir – que encobria esta questão. Os anos 90 assistiram à transformação da velhice em um tema privilegiado, quando se pensa nos desafios enfrentados pela nossa sociedade. Hoje, no debate sobre políticas públicas, nas interpelações dos políticos em momentos eleitorais e até mesmo na definição de novos mercados de consumo e novas formas de lazer, o idoso é um ator que não está mais ausente do conjunto dos discursos produzidos.

 

A velhice como problema social que exige uma atenção pública é, sem dúvida, resultado do aumento da população mais velha. 

 

Assistimos, por um lado, a uma socialização progressiva da gestão da velhice. Durante muito tempo, considerada como própria da esfera privada e familiar, e uma questão de previdência individual ou associações filantrópicas, ela se transforma em uma questão pública. Um conjunto de orientações e intervenções, muitas vezes contraditório, é definido e implementado pelo aparelho de Estado e outras organizações privadas.

 

 

Nesse movimento que marca as sociedades modernas, a partir da segunda metade do século XIX, a velhice é tratada como uma etapa da vida caracterizada pela decadência física e ausência de papéis sociais. O avanço da idade como um processo contínuo de perdas e de dependência- que daria uma identidade de condições aos idosos – é responsável por um conjunto de imagens negativas associadas à velhice, mas foi também um elemento fundamental para a legitimação de direitos sociais, como a universalização da aposentadoria.

 

Por outro lado, deste movimento de socialização não está ausente o que chamo de processo de privatização, que transforma a velhice numa responsabilidade individual e, nesses  termos, ela poderia então desaparecer do nosso leque de preocupações sociais.

 

A tendência contemporânea é rever os estereótipos associados ao envelhecimento. A ideia de um processo de perdas tem sido substituído pela consideração de que os estágios mais avançados da vida podem ser momentos propícios para novas conquistas, guiadas pela busca do prazer e da satisfação pessoal. As experiências vividas e os saberes acumulados são ganhos que oferecem oportunidades de explorar novas identidades, realizar projetos abandonados em outras etapas, estabelecer relações mais profícuas com o mundo dos mais jovens e dos mais velhos.

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