Aracaju, 25 de Abril de 2018

Coluna

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Viajando com Acácia Trindade

Por Acácia Trindade

Acácia Trindade é jornalista há 30 anos. Repórter , editora de Turismo e foi diretora do Jornal da Cidade e de Comunicação do Tribunal de Contas de Sergipe. Atualmente está chefiando a Ouvidoria da Corte de Contas. Mantém uma página sobre Turismo no Facebook - Viajando com Acácia Trindade. Agora passa a fazer parte do time do Conecte Mulher

 

16/11/2017
Riqueza turística inexplorada
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Há anos estamos chamando a atenção do Estado e dos municípios para a riqueza turística de bens edificados que estão abandonados ou em ruinas aqui em Sergipe. Turistas do mundo todo se encantam por este tipo de roteiro que aqui não é explorado. Algumas dessas construções são tombadas pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), assim como pelo Estado, mas só são visitadas pelos pesquisadores interessados em desvendar os seus mistérios. Elas são cenários de importantes momentos da história de Sergipe e habitam o imaginário popular dos moradores da região, que contam diversas histórias sobre suas fundações.

 


A conservação destes monumentos é um capítulo a parte, pois não depende apenas dos órgãos responsáveis pelos tombamentos, mas também da ação dos proprietários. Não estamos falando em reconstrução do patrimônio, mas sim da conservação das ruínas e a viabilização destas na inclusão de um roteiro turístico. O acervo existe e quem pensa em explorar o potencial turístico do Estado deve voltar os olhos para este segmento.



Rumar para o interior de nosso Estado pode se tornar uma atividade, além do comum, uma verdadeira viagem por diferentes períodos de nossa história.Um olhar um pouco mais atento, na região do Vale do Cotinguiba, nos revela um significativo conjunto de edificações que teimam em resistir ao tempo e ao desuso.

 

                                      

 


A grandiosidade das construções abandonadas, sobretudo as de caráter religioso, desperta interesse e curiosidade em grande parte dos sergipanos. Situadas às margens das rodovias federais e estaduais que cortam Sergipe, existem alguns exemplares do tipo.

 


No caminho pela estrada que liga Laranjeiras a Riachuelo, à margem direita está a capela do antigo Engenho Jesus Maria José, construída na segunda metade do século XIX(1769). De grandes proporções, foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 23 de março de 1943. A capela está em pleno processo de arruinamento.


 

                                   

 


O seu interior não abriga qualquer acervo e durante algum tempo, serviu de refúgio para animais que escapavam do pasto. Das paredes sequer sobraram os azulejos... ainda assim, suas dimensões, e a beleza de sua composição situada em um ponto mais alto, circundada por palmeiras tão altas quanto suas torres integram um relevante cenário característico do barroco nacional.



Construção semelhante, a capela do Engenho Itaperoá, em Itaporanga D'Ajuda também se encontra em estado de abandono.  Situada à margem esquerda de quem chega àquela cidade (sentido capital-interior), chama atenção por seu tamanho, que além de ser de proporções consideráveis, foi erigida sobre uma colina, o que contribuiu para aumentar a sua monumentalidade.

 

 

                

 

 

Chama atenção a complexidade Barroca da Capela do Engenho Nossa Senhora da Penha, em Riachuelo, construída na transição do século XVII para o XIX, que possui características que evidenciam seu estilo arquitetônico. É uma construção que dialoga com seu entorno, uma bela paisagem natural; que possui uma escadaria externa que possibilita o acesso à igreja. A capela do Penha, que também está em um delicado estado de preservação, foi tombada pelo IPHAN em 23 de março de 1943.

 

 

                             

 

 

Essas três igrejas fazem parte de um universo maior, que compreende inúmeros monumentos espalhados pela zona rural do Estado, que teimam em existir diante do esquecimento. Solitárias, clamam aos nossos olhares passageiros e velozes, pela sua sobrevivência.

 

 



*Colaboração: Danielle Virginie Santos Guimarães- Mestre em Educação e  professora substituta do Núcleo de Teatro da UFS.

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