Aracaju, 20 de Outubro de 2018

Coluna

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Aventuras da Drika

Por Adriana Franco

 

Adriana Franco é jornalista e assessora de imprensa. Diretora de conteúdo da Souza Franco Comunicação.

www.souzafranco.com

10/09/2018
Gladiadores Digitais
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Por Adriana Franco

 

Dia desses recebi um vídeo do escritor e palestrante Thiago Rodrigo sobre UBUNTU, onde ele narra uma espécie de lenda africana sobre um homem que, estudando os costumes de uma tribo africana, propôs as crianças uma corrida em que o vencedor ganharia um cesto cheio de doces. As crianças aceitaram na hora e animadas, deram as mãos e foram justas buscar o cesto, comemorando a conquista. O antropólogo olhou para elas curioso, afinal ele esperava uma disputa acirrada. Percebendo o espanto, uma das crianças disse: “Ubuntu tio. Como um de nós poderia ficar feliz se todas as outras iriam ficar tristes?”

 

Fui pesquisar a origem da palavra UBUNTU. Ela é praticamente uma filosofia, seu conceito, inclusive inspirou o líder Nelson Mandela que, no manifesto da liga da juventude, fundada em 1944 por ele escreveu: “Ao contrário do homem branco, o africano quer o universo como um todo orgânico que tende à harmonia e no qual as partes individuais existem somente como aspectos da unidade universal.” A palavra UBUNTU carrega consigo uma noção de fraternidade, compaixão, se opondo ao individualismo.

 

Vivemos um momento realmente delicado, não só em nosso país, como em todo o mundo. O mundo é tão grande, mas muitas vezes parece pequeno quando vemos questões como os refugiados sírios e venezuelanos, sem espaço, sem condições de viver em seus países, buscando apoio e nem sempre encontrando.

 

Aqui no Brasil, particularmente, assistimos a uma verdadeira guerra nas redes sociais, com a proximidade das eleições. Direita e esquerda se digladiando, praticamente não existe um debate de ideias que nos leve ao crescimento, é uma guerra. Traçando um comparativo é como se hoje o Coliseu fosse o smarthphone, onde dedinhos aflitos teclam incessantemente impropérios, xingamentos, raiva. Essa luta não é sangrenta, cabeças não rolam, mas amizades terminam. Com uma diferença bem grande, nela não existe um vencedor, perdemos todos.

 

Eu realmente não sei qual a sua opção política: direta, esquerda, centro. E eu também não quero brigar com você por conta disso. Mas eu gostaria muito que o nosso candidato gostasse de GENTE, que ele fosse firme quando necessário, mas que ele tivesse um olhar humano, que gostasse de gente de todas as cores, todos os gêneros, que fosse empático as nossas necessidades, às nossas diferenças... Que lutasse pelo fim da desigualdade social, responsável pela escalada da violência que assistimos, que ele tivesse um olhar humano para a Educação. Que ele não quisesse resolver os nossos problemas com armas, pregando o ódio, mas com a sabedoria necessária para transformar o nosso país. E olhe, principalmente para os que mais precisam que, sinceramente, não somos nós que ficamos brigando e nos digladiando nas redes sociais, mas aquele que nesse momento pode estar debaixo da ponte com a sua família, empurrando um carro de entulho pelas ruas como um cavalo de carga.

 

Esses dias, assistindo a novela O Tempo não Para, o personagem Dom Sabido, vivido lindamente pelo ator Edson Celulari, ao acordar 132 anos depois, recebe a notícia sobre o fim da escravidão mas, ao ver o personagem Eliseu, em outras brilhante interpretação de Milton Gonçalves, empurrando um carrinho de material reciclado no meio da rua, não entende porque dizem que a escravidão acabou, se um homem negro anda pelas ruas daquela forma.

 

Que possamos colocar em prática a filosofia UBUNTU, vivendo em um mundo em que a
felicidade do todo, seja a nossa também.

 

 

 

Fontes:
https://www.youtube.com/watch?v=gpIEHRukIfE


https://pt.wikipedia.org/wiki/Ubuntu_(filosofia)


Agradecimento a amiga Estela Beleti, que me inspirou a escrever esse artigo.

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