Aracaju, 24 de Setembro de 2018

Coluna

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Aqui Entre Nós

Por Nazaré Carvalho

Nazaré Carvalho é graduada em Letras pela UFS, especialista em Direito Educacional, jornalista, radialista e apresentadora de televisão. Exerce atualmente o cargo de Assessora de Comunicação da Faculdade Pio Décimo

22/07/2015
A família em nossos dias
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Percebe-se que uma nova compreensão de família se organiza em nossos dias, ocorrendo assim, uma sensível mudança nos conceitos básicos. O conceito de família tornou-se mais amplo, mais de acordo com a realidade, traduzindo assim, a família atual. Hoje vivemos com uma pluralidade de formas de organismos familiares e é crescente a visibilidade de muitas relações até então condenadas.
 

Dispõe Roger Raupp Rios: com efeito, num contexto político e ideológico dominado por uma visão de mundo onde os gêneros estão rigidamente definidos e orientados para necessidades de produção e para o fortalecimento de certos padrões morais confirmatórios desta cosmovisão, não há espaço para aceitação de qualquer espécie de relacionamento destoante de padrão desenhado pela família institucional.
 

Portanto, não havia lugar para o aparecimento de outras formas de relacionamento devido a concepção jurídica tradicional, isto é, aquela em que o casamento heterossexual tinha a finalidade de procriação. Porém, com o tempo, foi-se afastando a supremacia absoluta da família legítima, a submissão da mulher, o poder absoluto do homem, a indissolubilidade do casamento, a discriminação entre os filhos, a desigualdade entre os sexos, a desigualdade de direitos e deveres, entre outros fatores que não permitiam considerar a união de pessoas do mesmo sexo no âmbito de direito de família.
 

O cenário tornou-se propício para o surgimento de novas formas de família na medida em que o modelo institucional foi-se enfraquecendo. A família modificou-se profundamente. E com tantas transformações, é inevitável que mudanças ocorram na constituição dessas “novas” famílias. Houve então uma nova organização deste instituto, surgindo novos modelos.
 

Observa-se hoje que o direito de família caminha cada vez mais em direção ao reconhecimento da natureza familiar de relações humanas, estáveis e duradouras, fundadas na sexualidade e no afeto, com a intenção de estabelecer-se uma plena comunhão de vida.
 

A família abandonou com o passar do tempo a sua característica de ordem autoritária e hierarquizada para com o advento da nova ordem constitucional, firmar-se como uma instituição de afeto e cooperação, em busca do desenvolvimento pessoal dos seus membros.
 

A família passou a se sustentar nas relações de afeto, de solidariedade.
 

Percebe-se então que, para a configuração de uma entidade familiar, não mais é exigido, como complemento constitutivo, a existência de um casal heterossexual, com capacidade reprodutiva.
 

Diante desta nova família precisa-se saber até que ponto ela (família) está constituindo as regras e normas para um desenvolvimento sadio e qualificativo de seus membros. Ela está permitindo que o indivíduo desenvolva a sua personalidade para que assim consiga inserir-se na sociedade e atingir seus objetivos?

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